Mustache é uma agência de marketing digital que atende uma carteira diversa: do varejo de produto físico a serviços B2B, da estética de marca jovem ao tom institucional sério. Atuei como assistente de arte agência, produzindo peças gráficas para múltiplos clientes simultaneamente — cada um com identidade visual já estabelecida e tom de comunicação próprio.
O Que Esse Trabalho Exigia
Designer de agência de social media não tem direção criativa para defender. Tem o oposto: precisa desaparecer para que cada cliente apareça em sua própria voz. A pergunta diária não era "qual seria minha solução?", e sim "qual decisão essa marca tomaria?". Cada cliente tinha sua paleta, sua tipografia, seu repertório de elementos, seu tom de voz visual — e o trabalho era operar dentro de cada uma dessas regras sem misturá-las.
Em volume, isso significa alternar entre identidades visuais várias vezes ao dia: na mesma manhã, criar um post sério para um cliente B2B, um carrossel descontraído para um produto de varejo, e um anúncio promocional para uma terceira marca em um terceiro tom. A consistência não vinha do meu estilo — vinha do estilo de cada um deles.
O Que Eu Aprendi Aqui
Esse foi o período que refinou os fundamentos que ainda uso hoje em projetos de direção. Três habilidades específicas que esse trabalho construiu:
- Leitura rápida de identidade visual: Receber um manual de marca novo e, em poucas peças, conseguir produzir nele de forma fluída — sem que uma peça pareça "feita por outro designer".
- Variação dentro de regras: Criar dezenas de posts para o mesmo cliente sem que pareçam repetidos, mantendo a identidade intacta. É o exercício de "achar liberdade dentro do enquadramento" — habilidade fundamental para qualquer trabalho de longo prazo com a mesma marca.
- Volume sob prazo apertado: Social media trabalha com cronograma editorial — não dá pra pedir mais uma semana. Aprender a entregar consistente sob pressão constante muda como você se relaciona com qualquer prazo daí em diante.
O Contexto da Época
Essas peças foram feitas entre 2020 e 2022, antes da popularização de ferramentas de IA generativa. O fluxo de trabalho era diferente: bancos de imagens (Shutterstock, Unsplash, Adobe Stock), Photoshop como ferramenta principal, composição manual de cada elemento, retoque, recorte, ajuste de luz. Cada peça era construída — não gerada.
Não é um argumento de saudosismo. É um argumento de fundamento: aprender a fotomontagem manual ensina sobre luz, perspectiva, hierarquia visual e atenção ao detalhe de uma forma que prompts ainda não substituem. Designers formados nesse período carregam uma intuição visual que continua útil hoje, mesmo com as ferramentas mais novas.
A Função Desse Case no Portfólio
Os outros projetos deste portfólio mostram direção conceitual em projetos com escopo amarrado. Este aqui mostra a outra metade do ofício: adaptabilidade, volume e disciplina visual. Direção de arte se constrói em cima desses fundamentos, não no lugar deles.
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